Escondidas. Entre árvores altas e arbustos densos espreitam.
Em cada esquina, em cada rua, em cada casa, em cada lugar.
Tudo lhes pertence. Tudo lhes diz respeito. Tudo é delas. Nada é dos outros.
Jogam perigoso, arriscam demais. Abafam, assutam e enegrecem.
São noite, tempestade. Luar sem lua e mar sem sal. São por bem, vêm por mal. Ninguém sabe, ninguém sentiu, ninguém viu. Mas eu sou ninguém.
Escondo-me entre elas, vagabunda. Sem-abrigo da Luz ou sem-graça do dia. Sem-paciência no amor e sem-sorte no jogo. Perdida entre olhares de clemência e compaixão que não aceito. Que não aceitamos. Os sorrisos jocosos disfarçados na onda resplandecente do branco cristalino e reluzente. Não sorrimos. Porque simplesmente não queremos sorrir, não amamos porque amar é fachada, não sonhamos porque é para os inuteis.
Encaramos o tempo em cada lugar proibido. Vivemos a paixão em cada dor de desespero e a dor? Essa deixamo-la para aqueles que sonham.
O que somos ?
Somos a tua imagem reflectida na tua própria consciência. O reflexo de ti próprio que recusas olhar e ver. Ou se vês, recusas a aceitar. Somos a parte negra que tens e pintas de falso branco.
Um nome?
Sombras.
MiiaCastro.




