Sσмbяαs

Escondidas. Entre árvores altas e arbustos densos espreitam.
Em cada esquina, em cada rua, em cada casa, em cada lugar.
Tudo lhes pertence. Tudo lhes diz respeito. Tudo é delas. Nada é dos outros.
Jogam perigoso, arriscam demais. Abafam, assutam e enegrecem.
São noite, tempestade. Luar sem lua e mar sem sal. São por bem, vêm por mal. Ninguém sabe, ninguém sentiu, ninguém viu. Mas eu sou ninguém.
Escondo-me entre elas, vagabunda. Sem-abrigo da Luz ou sem-graça do dia. Sem-paciência no amor e sem-sorte no jogo. Perdida entre olhares de clemência e compaixão que não aceito. Que não aceitamos. Os sorrisos jocosos disfarçados na onda resplandecente do branco cristalino e reluzente. Não sorrimos. Porque simplesmente não queremos sorrir, não amamos porque amar é fachada, não sonhamos porque é para os inuteis.
Encaramos o tempo em cada lugar proibido. Vivemos a paixão em cada dor de desespero e a dor? Essa deixamo-la para aqueles que sonham.
O que somos ?
Somos a tua imagem reflectida na tua própria consciência. O reflexo de ti próprio que recusas olhar e ver. Ou se vês, recusas a aceitar. Somos a parte negra que tens e pintas de falso branco.
Um nome?
Sombras.

MiiaCastro.

яєsisтêиciα

Resistir. É a minha palavra-chave. Não vou apagar o que resta dele na minha vida, porque para mim isso é cobardia ao mesmo tempo que eliminaria momentos que já preenchem certas telas da minha vida. Vou simplesmente esquecer ... Esquecer e ignorar, por mais que doa encará-lo a cada manhã, por mais que doa fingir não o ver, por mais que doa desprezá-lo ... A dor talvez combata a dor. Não sei. Nunca tentei. Mas existe uma primeira vez para tudo.
Pelo menos asseguro-me de que a outra dor, aquela que doi mais, fica calada, muda e fechada a sete chaves enquanto eu luto contra os instintos de me proteger das outras dores.
Errar uma vez é humano. Mas sistematicamente é burrice.
Há páginas de livros que nunca devem ser abertas, outras que nunca se devem ler e ainda aquelas que se devem ignorar. Mas há livros mais perigosos, tentadores e lascivos. Livros que consomem e no final só trazem dor. Livros que estão guardados nas partes mais remotas das bibliotecas, cerrados a sete chaves como se fossem tesouros.
Posso dizer que foste um livro sanguinário, um mistério fácil e de palavras poucas. A tua história chegou ao fim rápido demais, sem dar o prazer caloroso do entusiasmo ou sequer um sorriso sincero. Também não trouxeste um final feliz. Daqueles que todos os romances, mesmo sanguinários, sonham trazer para que possa compensar o vazio das suas palavras.
Foste um livro comprado pela fachada, apenas pelo desenho prometador da capa, mas revelaste-te vazio, mentiroso e egoísta.
A tua história chega ao fim e serei com toda a força que me resta que irei resistir ao encanto vazio das tuas páginas e colocar o ponto final definitivo. Aí irás apenas voltar para prateleira, esquecido e apenas relembrado quando tiver essa prateleira repleta de best-sellers.
Até lá, só basta ter forças e resistir...

MiiaCastro.