мєlσdiα

. Dó .

Ele olhou nos olhos. O sorriso quente, os olhos risonhos, a expressão feliz… As estrelas de mil cores que pareciam brilhar sempre que abria o sorriso que apenas ela conhecia.

E o som começou…

. Ré .

Primeiro grave...

Depois agudo…

Uma batida...

Depois outra.

E foi subindo, subindo até alcançar o doce sabor de um beijo adormecido.

. Mi .

E o rufar acelerado de um coração que queria mais, que exigia mais. E na separação… a melodia abrandou.

. Fá .

Mas a eterna Filosofia do coração dogmático pediu que fosse mais além. E então o cochichar doce e aconchegado da sua bela canção tocou na sua cabeça, na sua alma, no seu coração.

. Sol .

Sol. Era isso que ele era. O Sol da sua vida e então na breve magia das palavras e na meiguice das carícias, a melodia aqueceu e de novo procurou a poesia que a completava.

. Lá .

Lá, aqui, fosse aonde fosse, acabasse como acabasse, eles seriam sempre a melodia conjunta, o ritmo e a poesia…

. Si .

As notas gemeram e arfaram, gritaram embrenhadas numa só canção que espantava os céus, bradava as águas e movia as montanhas. O êxtase de ser música apoderou-se deles e já não eram melodia e poesia, eram Fogo que queima a vida!

. Dó .

E então veio a paz, o completo, a eternidade numa folha pautada e as mãos que sempre correriam as teclas do “para sempre”. E assim ficaram, juntos, unidos como um só, esperando que o maestro marcasse o Bis, para que pudessem tocar de novo, a Eterna Melodia.

MiiaCastro.

igиσяâиciα

A vida dá-te uma chance de ser feliz
Mas não sabes viver;
Dá-te uma oportunidade de alcançar
Mas não sabes sonhar;
Dá-te uma oportunidade de vencer
Mas não sabes lutar;
Dá-te uma oportunidade de amar
Mas não sabes sentir;
A vida vai e vem
Mas não a queres agarrar;
A vida sofre e chora
Mas não queres sorrir;
A vida grita de solidão
Mas recusas-te a amar;
A vida apaixona-se
Mas recusas-te a tentar;
A vida mostra-te o caminho
Mas recusas-te a avançar;
A vida morre
E deixas-te partir.

MiiaCastro.

diαlєcтσ dє sαυdαdє

Apagas a Luz.
O choro, em silêncio. O sabor a sal.
Fechas os olhos.
O aperto no peito. O soluço contido.
Deixas-te levar.
As memórias invandem-te. Os sorrisos atingem-te e as palavras magoam-te.
Sorris por dentro.
Os olhares cumplices, as madrugadas sonhadas, o toque quente.
Suspiras fundo.
O sabor a mel e fel, o perfume hipnotizante, o toque singular.
Então, abres os olhos.
O Mundo desaparece. O Abismo parece não ter fim.
Por fim, acendes a luz.
A travesseira marcada a sal, o olhar perdido na noite e a Nostalgia marcada a Fogo.

Ainda consegues sentir? É Saudade.

MiiaCastro.

σ Discυяsσ dα ραixãσ

Perdida.
Pois já não encontro o caminho.
Se em cada esquina e cada ruela.
Me reencontro em ti.
Não!
Não choro a armagura da vida.
Mas conto histórias de fé,
Da mera e comum mortal
Do que lembro e do que esqueci.
Não discutas.
Não preciso de argumentos.
Se por horas e momentos,
Me esqueci como voar.
Mas asas roubou-mas um Anjo
Entre suspirados encantos
E palavras de Terra e de Mar.
Beija-me.
Faz-me sentir o Inferno.
Faz-me esquecer o Inverno,
O Outono sem folhas douradas.
Ama-me.
Deixa-me lembrar-te o Fogo
Deixa-me entrar no teu jogo.
Perder a próxima jogada.
Pois em termos de paixão,
Não há nem Sim e nem Não.
E quanto há discussão,
Essa não está acabada.
MiiaCastro.